Os loucos anos 20 – Episódio 1/4 de século

Pessoas, hoje escrevo-vos com mais um ano às costas. O cartão do cidadão é que dita a idade que chega agora a meio dos loucos anos vinte. Foram nem mais nem menos do que vinte e cinco anos celebrados com os amores da minha vida. Fazer anos no Verão é bom e mau. Por um lado, é bom porque todos os anos, no dia do meu aniversário faço praia, ando de biquíni o dia todo, posso comer gelados, andar de havaianas, ter um dia cheio de sol, nunca estou com ar de doente, a pele fica mais tostadinha, os cabelos ficam mais claros, o dia é mais longo porque anoitece tarde e por aí adiante. Por outro lado, em Agosto o povo está todo de férias, os amigos dispersam-se e não vale a pena fazer lista de convidados porque uma festa só resulta se puderem estar as pessoas indispensáveis à galhofa. Já que não se pode ter tudo, ordenei que os meus mais queridos estivessem todos à mesa nas duas refeições mais importantes do dia e o meu desejo foi atendido.

O bolo ficou por minha conta. Queria uma coisa diferente, pesquisei na net e encontrei o bolo do meu quartel de século. Foi a primeira vez que fiz a receita do bolo de nutella com maltesers e claro que tive um percalço de praxe, mas que acabou por ser esquecido tendo em conta os rasgados elogios que recebi. A sério que foi um dos bolos mais saborosos que comi na vida. Como eu não quero que fiquem para aí a comer com o olhos, aqui vai a receita:

Ingredientes:

400 gramas de Nutella
100 gramas de Avelãs picadas
100 gramas de chocolate
6 ovos
125 gramas de manteiga
1 colher de sopa de Rum ou Agua

Cobertura:

1 pacote de Maltesers
100 gramas de chocolate
100 ml de natas

Preparação:

Partir o chocolate em bocados e derreter no micro-ondas;

Separar as gemas das claras;

Bater as claras com um pouco de sal;

Juntar a manteiga amolecida com a Nutella e bater muito bem;

Juntar as gemas e continuar a bater;

Juntar o Rum (ou água);

Juntar as avelãs e envolver bem;

Juntar o chocolate derretido ( já frio ) e envolver bem;

Juntar as claras envolvendo com delicadeza;

Untar uma forma de 22 cms com manteiga e polvilhar com farinha;

Levar ao forno por 45 minutos a 180º.
O bolo sobe muito no forno, mas depois abate um pouco.

 

Preparação da cobertura:

Aquecer as natas e colocar por cima do chocolate partido em bocados;

Deixar uns segundos e depois mexer bem;

Colocar o chocolate no centro e ir espalhando;

Colocar no topo os Maltesers (também podem experimentar com morangos ou outra fruta).
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A M.

As minhas cruzes

Estou à beira de um ataque de dores musculares. Meti-me numa alhada há cerca de um mês, pois resolvi que, agora que estou a chegar aos vinte e cinco, é uma boa altura para finalmente conhecer os meus abdominais e os meus bíceps. Está na altura de mostrarem o que valem e que existem de verdade, apesar do ar camuflado com que sempre se apresentaram em público, acabou-se a era da manta fofa. Sempre quis proporcionar-lhes muito conforto ao longo da vida, mas agora, que a lei da gravidade está à espreita, é hora de provar a vossa existência e mostrarem que estão aí para o mundo e que se eu precisar estão lá para me proteger. Nunca se sabe se um dia não irei precisar de dar um murro básico em alguém que se arme ao pingarelho. Já soltei a minha veia violenta, mas vou guardá-la porque nunca fui boa a dar uso a isso. Sou muito da paz, podem baixar a guarda. No máximo passo-me e perco as estribeiras, mas isto tudo num espalhafato muito verbal que não chega a desenvolver muito mais. O que se passa é que já vamos no segundo mês de exercícios caseiros e o tempo dos treinos diários dobrou. Resultado? Dores no rabo, dores nas pernas, dores nas costas, dores nos braços, dores, muitas dores. Juro que faço os alongamentos e tudo direitinho, mas uma pessoa não é de ferro. Quando pensava que estava uma atleta como manda a lei, vem o segundo mês intensivo de treinos e manda o meu sonho pelas canas dentro. Fico enervada com isto e não posso descarregar em ninguém. Não, ainda não estou forte, nem posso com a mão na cara. Que vergonha. Que vergonha, mas não desisto, só preciso de um mimo básico, um simples dia no SPA para que alguém me dê com o rolo da massa nas costa e me estique as peles para continuar a aguentar a pressão. Shaun T, aqui vai um recadinho com direito a duck face no fim e o olho direito a piscar: esta sexta-feira esquece que eu existo.

Antes

Depois

Eu a ser feliz. Estão a visualizar a cena?

A M.

Do infinitivo rabujar

Olá meus grandessíssimos fofos! Estou aqui de óculos escuros só para ver se passo entre os pingos da chuva imaginários. Uma vergonha deixar isto ao abandono durante tanto tempo. Já nem sei como desdobrar-me em desculpas, por isso vamos pular esta parte. Devia era dedicar-me a outra coisa qualquer, deixar de vir aqui pôr panos quentes e varrer as minhas poeiras mentais que isto está um calor que não se pode. Por falar nisso, temo que nos próximos dias não reste uma circunferência de pele para contar a história de vida de um Ser que nasceu e faleceu numa ilha do atlântico. Estou aqui, estou a derreter às camadas. Não há dia em que não sinta que os meus tecidos estão a dar as últimas. O calor está aí e não olha a quem. Tudo corrido ao banho de suor diário para aprenderem a não deixar o Verão com as orelhas quentes de tanto falar nele. Tudo a passar a mãos na nuca, só para sentirem os cabelos coladinhos à pele e aquela sensação de estar vinte e quatro horas debaixo de um chuveiro. Sintam aquela sensação de estarem a derreter em cada dobrinha dos vossos corpinhos turbinados para verem o que custa a vida. E agora vá, mão ao peito e digam em uníssono: por minha culpa, por minha tão grande culpa. No próximo ano está tudo a bater na boca, não lhes vá dar outra vez para o mesmo. Fartei-me de ouvir gente a dizer que não íamos ter Verão e mal o tempo volta a estar mais fresco a má língua volta a bater no céu da boca para dizer mais umas quantas baboseiras, que isto é sempre a cortar na casaca até mais não. E foi este o Verão que tivemos? Não pode dar um dia de céu nublado e baixar dez graus que toda uma estação é posta em causa. Haja paciência. Depois é vê-lo a bater nos quarentas graus e toca de dizer mal porque agora está um calor horrível e nhanhanhaã. Este TPM hoje também não ajuda, estou a implicar até com as pedras da calçada. Hoje tudo me irrita. São as quarenta e cinco mil fotos do bebé da Kate escarrapachadas no Facebook, um histerismo com o pessoal lá do Reino Unido que não se entende, não é nada connosco, mas isto sou eu a pensar… depois são as fotos da lua cheia, só porque hoje está lua cheia e brilha no mar. Sim e é só por isto. Ai pessoas, pessoas…estou por aqui com isto tudo. Estou também a acusar a pressão dos vinte e cinco. Faltam vinte e um dias para o derradeiro sopro das velas. Estou a digerir, estou a assimilar, estou a contar até cem sempre que me lembro que caminho a passos largos para ouvir aqueles comentários super oportunos do Então, já namoras há uma eternidade, o relógio biológico ainda não deu de si? Isto agora com esta crise está difícil, não está? Ou Agora é um foguetinho até aos trinta, já pensaste? Isto agora é sempre a combater a lei da gravidade, meu anjo! Entre outros comentários infelizes que uma pessoa não tem como não ouvir. Depois de estar dito, não há nada a fazer a não ser um revirar de olhos flagrante e um ar amarelo. De qualquer maneira e só para que conste em ata, sinto-me uma miúda ainda. Parece que foi ontem que quando ia passear segurava no bolsinho das calças do meu pai para não me perder. Parece que foi ontem que me punha às cavalitas do meu pai para dar mergulhos de cabeça. Parece que foi ontem que não tinha a destreza suficiente para destrancar a porta das traseiras. Parece que foi ontem que brincava no tapete da sala com todas as minhas Barbie’s; que deitava uma moeda todos os dias no mealheiro ao chegar da escola; que fazia tendas no quintal com guarda-chuvas; que ia para a rua falar com as flores. Parece que foi ontem que revi o Rei Leão pela centésima vez. Passa tudo muito rápido, muito rápido para o meu gosto. Parecem-me razões suficientes para estar de trombas com as minhas hormonas só por mais uns dias. Depois já não é nada e volta a ficar tudo bem.

Vício do mês.

A M.

Color Run 13′ Lisboa

Meus queridos, este sábado a aventura foi esta. Quarenta e dois graus, a brisa que passava de vez em quando era igual a zero, bebi à vontade uns quatro litros de água, comi muita tinta, inalei muito pó rosa, trouxe quilos de tinta para casa, diverti-me, brinquei, pulei, dancei, pintei.  Ainda tenho tinta nas mãos e já perdi a conta das vezes que as esfreguei. É, sem dúvida, uma experiência que marca, que supera expectativas. A minha costela de voluntária agradece a oportunidade à Marginal Voluntariado. Este ano foi assim na Color Station Rosa. Para o próximo ano há mais.

A M.
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E só por isto já valeu ter ido. (Não sei de quem é a foto, mas era impossível não partilhar.)

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1ª edição do Portinho das girls

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Meus queridos, tenho a dizer que o fim-de-semana passado foi muito produtivo para alourar as peles. As fotografias são um pequeno resumo do que se passou, pequeno porque o que se passa entre oito meninas no Portinho, fica no Portinho. A pessoa fez praia, a pessoa comeu bem, a pessoa comeu muitas asneiras, a pessoa foi ao café de chinelos nos pés, a pessoa tomou banhos de água salgada gelada, tão gelada ao ponto de sentir a dormência do pescoço para baixo, a pessoa reclamou do vento que fazia na praia e dos grãos de areia que teve de engolir à força, a pessoa riu até soltar lágrimas gordas e ter a barriga a doer. Foi assim um dolce far niente muito apetecível e que se recomenda ao povo que por aqui passa. A casinha do Sr. V. ficava de frente para o mar e não havia quem não parasse para sacar o número de telefone. Foi um bom aquecimento para os meses de Verão que aí vêm. O Verão chegou a tempo e horas de calar as más línguas e os mais impacientes. Já não se podia com tantas reclamações, o Verão já devia estar farto de ouvir bocas. Queriam calor? Agora não reclamem por terem a roupa colada ao corpo e terem de ir trabalhar com a brasa que está lá fora.

A M.

It’s all about Saramago

E perguntam vocês: mas onde é que tu te enfiaste nos últimos dias? Desapareceste, não dizes nada, isto é assim? Deixas isto à mercê das traças? Eu respondo. Depois de me ter gabado que tinha sido um às de paus a pôr o meu computador na linha, o gajo deixou-me ficar mal. Morreu e foi para a clínica e agora diz que está aqui rijo como um pêro. Vamos ver como é que as nossas vidas correm nos próximos tempos… deixei de confiar em máquinas. Toda uma credibilidade por água abaixo, é o que é…

Indo ao que interessa. Nem sabem! Esta semana a minha veia cultural deu de si. Isto não são só feiras, lojas, restaurantes e trabalhar quando o rei faz anos, pois claro que não. Há vida para além disso. A coisa deu-se de tal forma que agora quero vender-vos a ideia de irem a um sítio que vale muito a pena. Um dia destes percam uma hora e meia das vossas vidas e visitem a Casa dos Bicos – Fundação José Saramago, em Lisboa, prometo que não se vão arrepender de beber um pouco daquela água. A história de Saramago e todo aquele espólio sacia qualquer alminha. Se forem estudantes tanto melhor que só desembolsam dois euritos, se isso já não for a vossa realidade também por três euros ninguém morre. O projecto fez um ano na passada quinta-feira, dia treze de Junho, dia da ressaca pós Santos Populares, e neste primeiro ano recebeu cerca de vinte e cinco mil visitantes. Está-se mesmo a ver que não sabem o que estão a perder, mas eu, como vossa amiga que sou, registei umas coisinhas à socapa só para não dizerem que sou má pessoa e que guardo tudo só para mim. Vou partilhar, sim? Beijos para mim! Não estou a sentir nada…enfim. Mostro na mesma aquilo que mais me tocou.

 

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A fachada da Casa dos Bicos.

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Escadas que vão dar à exposição.

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“Escrever é um modo de viver, mas pressupõe ter vivido” – Não diria melhor.

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O escritório.

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O Prémio Nobel da Literatura 1998

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O busto.

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Sob esta Oliveira, que fica em frente à Fundação, descansam as cinzas de Saramago.

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Gostaram desta mini visita guiada?

Sim? Então, agora já não há desculpas. Saibam mais em http://www.josesaramago.org/ ou https://www.facebook.com/fjsaramago?fref=ts

A M.

Domingo-feira

Nunca tive tanto frio como nesta Primavera. As mãos, os pés e o nariz andam sempre a menos um grau de temperatura. Os termómetros finalmente dispararam, mas dentro de casa continuo a ter de usar o polar cor de laranja e gigante do G. e a queixar-me do sol que teima em bater na varanda durante um par de horas pela manhã. Ainda assim já se pode dizer que começa a cheirar a Verão lá fora. O vento continua irritante, embora já se possa sentir o bafo a bater na cara e não seja tão insuportável. A praia pode esperar, não sou pessoa de perder a cabeça aos primeiros raios de sol, apesar da minha pele esquálida estar a ansiar por um lugar ao sol, tratei foi de forrar os estômago com as primeiras cerejinhas básicas e doces do ano durante o fim-de-semana. O certo é que o Santo António vem aí e eu estou mortinha por palmilhar as ruelas dos bairros de Lisboa, comer caldo verde, bifanas e talvez até uma ou outra sardinha no pão, tudo isto regado com vinho tinto ou cerveja. Já fui muito feliz na noite dos santos populares, por isso, e como não quero que vos falte nada, estão todos convidados para as festas do mês de Junho. Lisboa espera por vós, linda e cheia de luz, como sempre.

A M.
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A culpada pela minha falta de vontade de levantar o rabo do sofá neste domingo. Já vou na quinquagésima sétima vez a ouvir.

As máquinas e o Orlando

Tenho de ir levar com um raminho de alecrim nas costas. Para além de ter os bancos mais duros do planeta a morar cá em casa e ter as costas feitas num oito horizontal, como se isso não bastasse, como se um mal nunca viesse feito bicha solitária, o meu computador teve um AVC e esta semana tive o desprazer de o ver às portas de um falecimento sem volta a dar. Sim, sem volta a dar porque as máquinas estão sempre a ressuscitar pelas mãos dos técnicos, mas como eu nunca estou para abrir os cordões à bolsa em casos desta envergadura reuni todos os esforços para este salvamento. Por detrás deste resgate não esteve nenhuma equipa especializada, fui apenas eu. Não, vocês não me estão bem a ver, eu não pesco grandes coisas, mas fiz uma cena incrível…recuperei um ASUS. Dois dias em estado coma, em constante reanimação quando deixava de lhe sentir a pulsação vinda da corrente começava a insultá-lo severamente com nomes feios e coisas assim. Uma noite mal dormida, muitos ai que Deus me acuda, ai que Deus me acuda que eu já estou a perder as estribeiras. Não tenho quase nada guardado neste querido, mas é sempre chato querer fazer a minha higiene virtual diária e não poder só porque agora deu-lhe para isto. Não percebi o que é que aconteceu, mas não descansei enquanto não o pus novamente a mil à hora. Consegui este feito histórico mesmo não percebendo nada dos sintomas, fui ao cerne da questão por instinto e até agora diz que voltou ao que era. Nestas coisas há que ter paciência de santa, não dá para uma pessoa estar a levá-lo ao hospital dos computadores por tudo e por nada com estas taxas moderadoras altíssimas. A minha veia médica pensa que deve estar a chocar uma varicela e foi só uma febre interior qualquer. Isto de ter pequenos novos cá por casa é uma maçada, no outro dia foi o Orlando, agora este. Uma maçada, uma maçada! Mas nem sabem da melhor. Quem está de parabéns é o nosso querido Orlando. Cortámos a meta dos vinte mil quilómetros esta tarde. A nossa vida nunca mais foi a mesma depois de ele ter sentido o peso das minhas mãos, de finalmente ter captado o poder que eu realmente exerço ao volante e de ter a plena certeza de quem manda nele sou eu. Peço que façam uma onda mental em honra do Orlando que veio trazer um pouco de paz de espírito à minha vida, na medida em que me ajudou a desvincular por completo do demoníaco combinado Vimeca/Carris.

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Fotografia tirada hoje, pelas dezoito e catorze minutos, hora em que estávamos parados no semáforo em frente ao Lindo-o-velho que virou casa de alterne. Ninguém diria, mas estávamos em amena cavaqueira rumo à cidade universitária.

Já tinham saudades de música? Daquela que vos faz pensar que eu tenho um gosto deteriorado? Pois muito bem. O clássico que tem estado em modo repeat, cá em casa, esta semana é…

A M.

O Orlando foi ao médico

Se eu fosse brasileira diria que O Orlando era aquele “cara carente” que precisa que o levem pelo volante para todo o lado. Tímido por natureza, desde o dia em que o meu pai foi buscá-lo ao stand, mas fiel como um carro deve ser. Este ainda não me deixou ficar mal na estrada, como o Sebastião (mas esse são outros quinhentos), apesar de ter uma roda que se queixa a toda a hora. Já nem ligo, toda a gente queixa-se de alguma coisa, o meu carro queixa-se que lhe dói a roda esquerda da frente. Ele que se aguente e que não seja xoninhas. Com três anos entrou agora na idade das birras, mas tirando isso não se queixa de mais nada nem faz fitas a meio da estrada – do género de querer ar num pneu ou porque não quer passar por cima de uma lomba -, nunca me tirou do sério ao ponto de ter de rodar a baiana e vestir o colete reflector. Basicamente, o Orlando vai a todas. Até então, só soma pontinhos. O pesadelo começou esta semana aquando da carta registada que me foi parar ao correio. O Orlando podia ter um nódulo no ABS e teria de ir à faca. O pânico instalou-se.

Liguei vezes sem fim para a clínica dos carros, sim o Orlando ainda vai à clínica, e lá consegui vaga para o meu pequeno. Hoje levei-o até à porta do bloco operatório… ficou no corredor porque as camas não estavam vagas. Percebi, pelos faróis, o ar de preocupação e ansiedade, mas fiz-me de forte. Ia correr tudo bem. Marcavam as oito e quarenta e sete, estava sentada numa cadeira de esponja cinzenta de pés pretos quando me foi dada a notícia. O Orlando podia ter de pernoitar nos cuidados intensivos até segunda-feira. Caiu o carmo e a trindade dentro das quatro paredes dos meus hemisférios. Eu teria de me separar dele. Não sou nada sem o meu pequeno nesta cidade imensa. O bilhete da vimeca está pela hora da morte (três euros e cinquenta) e do metro nem se fala (um euro e quarenta). Já estava a pintar um fim-de-semana de clausura em Lisboa com a Feira do Livro a decorrer no Parque Eduardo VII e porra que parece que todos conspiram contra mim. Horas de espera a vê-lo através do vidro transparente e toda uma mímica entre nós.

Onze e qualquer coisa, o enfermeiro dos carros entrou de rompante na sala de espera com o meu chocalho de chaves. Segurava apenas na minha mafaldinha de plástico. Boas notícias! O Orlando tinha escapado à operação. Um alívio! Despiste feito e nada detectado. Tiraram-no da maca e fecharam-lhe as costuras, tiraram-lhe o soro e estávamos de novo entregues um ao outro. Corri para o abraçar, mas ficava um bocado chato em frente a tantas pessoas, então preferi compensá-lo de outra forma. Fui dar banho ao Orlando, à Galp, com direito a hidromassagem e tudo. Nem o ar carrancudo do senhor do tangerina me fez ficar aborrecida. Estava-me completamente nas tintas, o Orlando estava bem de saúde e isso era o que mais importava.

Tudo não passou de um sonho mau, o Orlando já está operacional para voltar às grandes curtições em plena 2ª circular ao som da M80. O Orlando é como um filho, dá despesa, é uma preocupação, nunca sabemos se vai chegar bem a casa, mas já não conseguimos viver sem ele, desce o amor incondicional em forma de pomba sobre nós, qual espírito santo, assim que o vemos pela primeira vez e depois quando “caímos na real” já estamos praticamente a dar a vida por ele com medo de ficarmos reduzidos a nada caso ele parta, desta para melhor, para todo o sempre. Toda a gente devia poder ter um Orlando na vida, se há coisa que me encaixa na perfeição na garagem é este querido. Longa vida ao rei!

Não percam as próximas aventuras do Orlando, desde dois mil e dez a espalhar charme e velocidade pelas ruas de Lisboa.

Próximo capítulo…O Orlando foi a Espanha.

P.s.: Repararam que já me passou a neura, não repararam? Pronto, estou de volta e é o que importa. Não vou fechar nada, não se enervem, vou apenas continuar a baldas de sempre e a escrever quando fizer sol, coisa que daqui para a frente vai acontecer muitas vezes ou todos os dias ou sei lá.

A M.