A fábrica das saudades

Outra vez as saudades. A primeira grande lição de vida começou cedo. Desde os sete anos que nos tornámos íntimas e inseparáveis. A pior de todas as saudades é aquela que é eterna e que nada nem ninguém consegue remediar. A saudade que vem com o rótulo ‘irremediável’ não interessa nem ao zé da esquina. Aquela do para sempre, sabem? É a pior e a mais repugnante de todas. Essa é a saudade que não quero saber para nada, a que a vida nos oferece qual presente envenenado e agora faz o que quiseres com isso, vive o melhor possível com essa bala alojada no coração até chegar à tua vez, a vez em que és tu a eterna saudade no coração de alguém.

Aos dezoito anos a saudade da terra, da família, da casa, dos amigos e um começar de novo. Aos vinte e dois a saudade das amizades que fiz, daquilo que construí, da falsa independência e de tudo aquilo que tive de deixar na outra margem do Atlântico. Saudades pingue-pongue, que nos deixam com a cabeça do avesso. Nunca podemos ter tudo à mão de semear e isso é das coisas que mais me chateia. Temos sempre um lado do coração mais massacrado e a vida não dá tréguas. É assim e é se queres, se não estiveres satisfeito a vida manda-te resolver isso com um skype para amenizar o estrago. Podem inventar tudo, mas ainda não há como tocar. Ninguém vive bem se não puder sentir as coisas/pessoas e é mesmo disso que se trata. Em dois mil e treze quero sentir mais. Estar mais presente. Estar mais aqui, mas sem ter de estar longe. Estar mais onde tenho de estar. E com isso conseguir acalmar o coração. Se nos ausentamos demasiado tempo da vida de quem sentimos saudades, de quem gostamos, chega a um dia que deixamos de fazer falta. O ‘não posso’ tem de passar a ser substituído por um ‘vou poder’ e depois por um ‘afinal posso mesmo’ e depois por um ‘finalmente conseguimos estar juntos’. Se nunca der para ser, chega a um dia que as pessoas deixam mesmo de fazer falta e as saudades passam a ser daquilo que podia ter sido e não foi.

A infopedia diz:

Saudade

nome feminino

sentimento melancólico causado pela ausência ou pelo desaparecimento de pessoas ou coisas a que se estava afectivamente muito ligado, pelo afastamento de um lugar ou de uma época, ou pela privação de experiências agradáveis vividas anteriormente.

E é mais ou menos isto que se vai passar nos próximos meses. Um dois mil e treze à prova de bala.

Como ontem estive a tratar dos problemas da minha saudade não tive tempo nenhum para vir cá e deixar-vos o que prometi na sexta-feira passada. Aqui fica a música que me acompanhou esta semana e que me vai acompanhar por mais alguns dias, pelo menos enquanto a saudade apertar com muita força.

A M.

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2 thoughts on “A fábrica das saudades

  1. “…Saudade é amar um passado que ainda não passou,
    É recusar um presente que nos machuca,
    É não ver o futuro que nos convida…” (Pablo Neruda)

    Queridíssima..este senhor parecia perceber do assunto!!

    Saudade?!…só porque somos o que já tivémos!

    Beijinhoo de Mina*

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